Sri Lanka, uma lágrima de maravilhas

Localidades que nos apaixonaram, pessoas que nos cativaram e paisagens que nos cegaram de tanta beleza. O Sri Lanka marcou-nos pela simplicidade e singularidade. Um país com a forma de uma lágrima deixou-nos rendidos à sua forma única de ser.

Passámos dez dias nas terras da antiga Taprobana. Não foi fácil planear esta viagem, pois o país tem inúmeros pontos de interesse espalhados por todo o território e apenas tivemos dez curtos dias para percorrer o máximo de área possível.

Cada um dos dias teve a sua história, a sua beleza, a sua importância para um capitulo importante na nossa vida.

Dia 1: Uma nova realidade
Dia 2: Pelas muralhas de Galle
Dia 3: Bom e barato à mesa
Dia 4: A ponte dos nove arcos e uma sanguessuga
Dia 5: Ella Rock tão perto e tão longe
Dia 6: No comboio azul
Dia 7: Do Jardim das Especiarias ao paraíso
Dia 8: Climb every mountain
Dia 9: Um desvio para decepção
Dia 10: A beleza esgotou-se

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Dia 1: Uma nova realidade
Destino: Galle – Unawatuna Beach

Aterrámos pelas 14h00 locais. À saída do aeroporto negociámos com um taxista o nosso percurso até Unawatuna Beach, perto de Galle, a cerca de 150 km. Por um valor abaixo das 9.000 rúpias (cerca de 45 euros) fechámos negócio e com dificuldade lá conseguimos encaixotar as nossas três malas na bagageira do mini táxi (mini TaTa). Ultrapassada essa parte, a nossa principal preocupação foi encontrar, entretanto, um supermercado ou qualquer sítio onde pudéssemos abastecer as nossas mochilas. Qualquer coisa serviria, desde bolachas, fruta e, essencialmente, água engarrafada. Prontamente o “nosso amigo” taxista levou-nos ao local ideal onde comprámos o suficiente para a viagem.

Seguimos viagem no meio de um trânsito infernal, que segundo nos apercebemos, era típico no Sri Lanka. Tudo era um caos graças à quantidade de tuk tuks, motas e autocarros que circulavam nas estradas. Além disso, a condução dos cingaleses era péssima e, várias vezes durante a nossa viagem, abraçámos autênticos desafios dignos de provas de rally. Mas eles conseguem viver bem com isso e, nos poucos dias que lá passámos, só assistimos a um acidente já praticamente resolvido. Prezado turista aventureiro que tenha coragem nas veias para poder conduzir neste país. Nós optámos sempre pelos transportes públicos e privados.

Duas horas e meia depois chegámos a Unawatuna Beach. Esta é uma zona balnear, talvez uma das zonas mais procuradas pelos turistas que pretendem passar alguns dias na praia. De resto, é uma zona que não nos oferece nada de extraordinário para visitar. Por isso aproveitámos a água quente do mar e o primeiro magnífico pôr-do-sol asiático.

O pôr-do-sol em Unawatuna Beach | Sri Lanka
O pôr-do-sol em Unawatuna Beach | Sri Lanka

 

Dicas deste dia:

  • Para refeições: Pink Elephant Unawatuna;
  • Para dormir: Ficámos no Taproban Beach House. Não achámos o hotel extraordinário até porque o quarto que nos foi dado estava situado mesmo junto à cozinha e à esplanada do hotel, no rés-do-chão. Foi talvez o hotel menos acolhedor de toda a viagem.

 

Dia 2: Pelas muralhas de Galle
Destino: Galle e Dalawella Beach

Bem cedo negociámos a viagem de tuk tuk até Galle. Cerca de 200 rúpias cingalesas foi o que conseguimos para aproximadamente 6 km de viagem.

Nunca me habituei bem a regatear o preço dos tuk tuk ou táxis, ao contrário da Joana que, pelas suas viagens a países asiáticos, nos deu uma boa ajuda para pouparmos… uns trocos. Tudo é tão barato que damos por nós a regatear 25 cêntimos. Mas faz parte e devemos fazê-lo quando temos muitas alternativas semelhantes por perto. Aprendi que, se não estivermos desesperados, podemos perder um pouco de tempo a negociar valores.

Dedicámos a nossa manhã a passear em Galle. Visitámos a zona velha no interior do forte, passeando ao longo de toda a muralha. Pudemos observar a torre do relógio e as ruas estreitas que tornam característica esta zona da cidade. Já no regresso para Unawatuna fomos interpelados por um nativo que nos levou à zona mais comercial com os mercados de fruta, roupa e especiarias. Cheirava a caril, a açafrão, a peixe… à volta ouviamos buzinas dos tuk tuk, dos autocarros e dos táxis… sensações várias que ao longo dos dias foram fazendo parte das nossas vivências.

Depois de regressar ao hotel, caminhámos até Dalawella Beach, referenciada como uma das praias mais bonitas da região. No fundo, foi uma autêntica desilusão depois de termos caminhado cerca de 3 km, debaixo de um calor infernal. Valeu apenas pelas fotos tiradas numa corda pendurada de uma palmeira e por termos conseguido ainda captar umas fotografias dos fishermen, que é considerado Património da Humanidade pela UNESCO.

 

Dia 3: Bom e barato à mesa
Destino: Mirissa

Fomos até ao centro de Galle e apanhámos o autocarro na estação central da cidade. Cerca de 50 rúpias cingalesas (25 cêntimos) foram suficientes para fazer 35 km com as malas ao colo, cheios de calor e apertados. Aliado a isso, a condução veloz e descoordenada do motorista levou-nos a pensar que estaríamos a participar numa corrida contra o tempo.

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Em Mirissa ficámos hospedados num hotel de qualidade bastante superior, a cerca de 10 minutos do centro e perto da praia. Esta zona é já frequentada por outro tipo de turistas. O turista mais relaxado, na onda cool do “tá-se bem” e de muitos amantes do surf, daí a quantidade de guesthouses da região.

A praia é maravilhosa e muito frequentada. Para quem procura uma praia deserta, esta não será a mais aconselhável. No entanto, foi um bom boost para a viagem do dia seguinte até Ella.

Nessa noite, seguimos o conselho de um blog e fomos jantar ao Dewmini Roti Shop, um restaurante de uma guesthouse. Para lá chegar tivemos que andar por estradas de asfalto cheias de lama e uma rua sem luz, que só com a ajuda dos telemóveis conseguimos atravessar. O restaurante estava completamente cheio, mas fomos muito bem recebidos pelos empregados e, por apenas 8 euros, no total dos três, comemos um magnífico kotu e mais uns aperitivos fantásticos e típicos do país.

 

Dicas deste dia:

  • Para refeições: Dewmini Roti Shop – É um restaurante de uma guesthouse. É barato e de boa qualidade;
  • Para dormir: Alugámos um quarto no Triple O Six Hotel. É um hotel bastante acima da média e cujo serviço foi irrepreensível.

 

Dia 4: A ponte dos nove arcos e uma sanguessuga
Destino: Ella

Alugámos um táxi em Mirissa por 12.000 rúpias cingalesas. De outra forma seria uma viagem bastante cansativa. Ainda assim, conseguimos arranjar um taxista sem regras na condução e que por uma ou duas vezes nos fez ficar agarrados ao banco do carro.

Não obstante isso, ainda conseguimos focar a nossa atenção no caminho. Passámos por Matara entre caminhos estreitos e de grande movimento de veículos motorizados.

A poucos quilómetros de Ella fizemos uma paragem às Ravana Falls, onde fomos recebidos por perto de uma dezena de macacos. As cascatas estavam imponentes dada a chuva que tinha acabado de cair na região.

No nosso plano decidimos permanecer duas noites em Ella, para dar a oportunidade de passear por todos os pontos de interesse da região. Little Adams Peak, Ella Rock, Nine Arch Bridge eram três dos pontos obrigatórios de passagem. No entanto, houve outras tantas coisas maravilhosas que vimos nesta povoação que elegem Ella como um dos locais que mais gostei de toda a viagem.

Ao chegarmos ao Hotel OnRock, um homem com quase 70 anos, magro e com o bigode fino e bem definido aguardava-nos. Era o dono do hotel. O Sr. Rohan Perera, como se apresentou, deixou-nos maravilhados com a sua hospitalidade. Quase numa relação de avô com os netos, deu-nos todas as recomendações para podermos desfrutar bem da sua povoação.

Nessa tarde, corremos até a Nine Arch Bridge para ver o comboio das 17h30 a passar (existe outro momento de passagem do comboio às 9h20 da manhã). São cerca de 2 km, desde o centro da localidade. O caminho até lá não está muito bem definido pois, a partir de um certo ponto, deixámos de ter um caminho facilmente acessível e passámos a ter a necessidade de atravessar através de um trilho individual no meio do mato. Ficámos sem saber se aquele seria o caminho mais simples e, infelizmente, por uma questão de poucos segundos não conseguimos ter o prazer de ver o comboio a passar conforme nos relatam as milhares de imagens que circulam na internet. Entretanto, o Luís sentiu uma ligeira picada provocada por uma sanguessuga que ter-se-á agarrado à sua perna durante o percurso no trilho. A maldita foi arrancada com os dedos e bastaram alguns minutos para a pequena ferida ficar sarada.

Com o sol a dizer adeus a mais um dia decidimos apanhar um tuk tuk de regresso ao centro da povoação. Por lá jantámos num dos restaurantes da rua principal e que não nos encheu as medidas.

Nine Arch Bridge | Ella
Nine Arch Bridge | Ella

 

Dicas deste dia:

  • Alugámos um quarto no Hotel OnRock. O hotel fica mesmo no centro da localidade e tem uma vista soberba sobre a montanha. O quarto era simples, adequado às necessidades básicas e o pequeno-almoço também nos agradou bastante.

 

Dia 5: Ella Rock tão perto e tão longe
Destino: Litlle Adams Peak e Ella Rock

Levantámo-nos cedo com a energia suficiente para poder caminhar alguns quilómetros. O Sr. Rohan Perera preparara o nosso pequeno almoço e recomendou-nos os caminhos a tomar para Little Adams Peak e Ella Rock.

Aproveitando o facto do céu estar pouco nublado e seguindo as recomendações do dono do hotel optámos primeiro por seguir o caminho em direcção a Little Adams Peak. Foram cerca de 3 km desde o centro da localidade e, grande parte do tempo a subir no meio das plantações de chá.

Little Adams Peak é apenas um pequeno santuário com uma vista absolutamente fantástica sobre o vale de Ella e sob a vigilância de Ella Rock. Uma pequena miniatura de Adams Peak que, infelizmente, não tivemos oportunidade de visitar pois ficava muito fora do roteiro que traçáramos. Segundo estudámos previamente à viagem, a caminhada para Adams Peak deve ser feita durante a noite para se assistir ao nascer do sol do topo da montanha. As saídas para Adams Peak fazem-se a partir de Ratnapura e, pelas descrições que circulam na internet, a caminhada ao grande santuário deve ser tida em conta por quem viaja pelo Sri Lanka. Para nós ficará, certamente, para uma próxima oportunidade.

Regressámos à localidade a meio da manhã e, sem tempo para descansar, iniciámos o percurso até Ella Rock. Segundo nos foi indicado, o percurso iniciava-se na linha do comboio e, por ela percorremos cerca de 3 km. Durante essa caminhada cruzámo-nos com transeuntes, turistas perdidos e cingaleses que viviam nas redondezas. Destes recordamos um rapaz com cerca de 7 anos que nos convidou para almoçar com ele e a família. Amavelmente ofereceu-nos uma fatia de manga pulverizada de açafrão. Uma conjugação que acharíamos incompatível mas que nos soube muito bem.

Não aceitámos ficar para almoçar pois tínhamos um longo caminho ainda a percorrer. Saímos da linha do comboio seguindo as indicações para Ella Rock. A partir daí o caminho tornou-se difícil e tortuoso. Cruzámo-nos com um grupo de jovens turistas que nos tentou ajudar no caminho a seguir, mas rapidamente chegámos à conclusão de que estávamos perdidos no meio dos campos de chás e sem qualquer ponto de referência que nos servisse de auxílio.

Entretanto, algures por ali surgiu um nativo que nos ajudou a caminhar uns quilómetros no meio da vegetação. Ainda que com dificuldades na comunicação em inglês, esclareceu-nos que uns pequenos montes de terra, com uma altura de cerca de 50 cm que víamos pela região não eram formigueiros como pensávamos. Eram ninhos de cobras… venenosas. O conselho dele foi não nos aproximarmos…

O tempo tinha alterado nos últimos três quartos de hora. O céu estava coberto de nuvens densas prontas a descarregar litros de água. Segundo o nativo ainda nos faltavam cerca de 700 metros até Ella Rock e com uma inclinação acentuada. O Luís estava com bastante vontade de continuar o caminho, mas optámos por regressar à localidade. Apesar de não termos chegado a Ella Rock acabámos por pagar 3.000 rúpias ao nativo. Sim, foi um valor excessivo para o pouco que caminhámos, mas estávamos no meio do nada e queríamos ter a certeza que regressaríamos à povoação.

Para aproveitar o tempo ainda tentámos procurar saber se alguma das fábricas de chá estava aberta, mas por ser véspera de ano novo para os cingaleses, as fábricas tinham encerrado mais cedo.

Ella é uma povoação mágica e que tem o seu “quê” de bela. Apesar de se localizar no interior do país, o turista já a descobriu. Vê-la hoje poderá ser bastante diferente de um amanhã a médio prazo.

 

Dicas deste dia:

  • Para refeições: Ceylon Tea Factory – O restaurante fica perto do centro de Ella e a cozinha é magnífica. Talvez o melhor restaurante que conhecemos no Sri Lanka, merecendo o devido destaque neste artigo;
  • Para chegar a Ella Rock é aconselhável encontrar um guia que possa ajudar. Segundo o que apurámos posteriormente, um guia poderá levar entre 3.000 a 5.000 rúpias. Uma aventura solitária até Ella Rock pode não ser uma boa opção.

 

Dia 6: No comboio azul
Destino: Kandy

Despedimo-nos do Sr. Rohan Perera que amavelmente nos desejou as maiores felicidades manifestando vontade de nos receber novamente. Caminhámos até à estação de comboios que ficava a cerca de 400 metros do hotel.

O comboio não chegou atrasado, como parece ser habitual no Sri Lanka e entrámos na carruagem reservada aos bilhetes comprados online, sem ar condicionado, com a possibilidade de abrir as janelas e ter as portas escancaradas. Tudo corria como tínhamos planeado: viajar numa carruagem de segunda classe onde pudessemos circular à vontade, apreciar a paisagem e sentir a frescura do ar exterior, sinal da chuva que se avizinhava.

De Ella a Kandy foram cerca de 6 horas, com algumas paragens, entre as quais em Nuwara Ellya, conhecida como Little England pelas raizes coloniais e onde muitos turistas aproveitam para sair e pernoitar continuando a viagem no dia seguinte.

Os vários tons de verde acompanharam-nos durante mais de uma centena de quilómetros, com pequenos salpicos de riachos e cascatas e pinceladas de outros tons que tornam a região única e a viagem magnífica.

 

Descemos na estação de Kandy por volta das 16h30 e negociámos um tuk tuk até ao hotel que ainda ficava a uma distância considerável. Ainda assim não demos conta do tempo passar pois todo o caminho foi feito com umas boas gargalhadas provocadas pelo motorista que mal sabia falar inglês e tentava com gestos emotivos e mão no peito dizer-nos que o Sri Lanka era o melhor país do mundo. Além disso, tentava mostrar-nos alguns movimentos com os braços daquilo que ele chamava de Sri Lanka Dancing.

Aproveitámos ainda essa tarde para visitar o Templo do Dente Sagrado, mais conhecido como o Temple of the Sacred Tooth Relic, onde dizem estar guardado o dente do Buddha. A entrada custou-nos cerca de 1.500 rúpias por pessoa e as máquinas não aceitavam cartão multibanco nem nos davam troco. Conseguimos ter dinheiro certo para a compra de todos os bilhetes sem necessidade de “dar gorgeta”.

Ao entrarmos no espaço do templo, sentimo-nos logo numa zona de oração e paz. Entregámos os nossos sapatos numa barraca para o efeito e caminhámos descalços por todo o espaço. No primeiro andar, onde se encontra guardado o dente do Buddha, muitas pessoas aguardavam pela abertura da porta principal de uma espécie de sacristia. Eram intensas as emoções que se faziam sentir dentro do templo enquanto decorria a oração. Ainda estivemos muitos minutos à espera da abertura daquela dita porta e assim que isso aconteceu, a agitação tomou conta dos presentes.

Depois desse momento acabámos por circular nas redondezas do templo sem grandes planos para o resto do dia.

Templo do Dente Sagrado | Kandy
Templo do Dente Sagrado | Kandy

 

Dicas deste dia:

  • No planeamento da viagem acabámos por decidir pelo sentido Ella-Kandy, uma vez que, a grande maioria dos turistas faz o circuito ao contrário. Assim, teríamos a oportunidade de garantir um lugar no comboio na reserva e menos confusão nas carruagens;
  • Fizemos previamente, em Portugal, a reserva dos nossos bilhetes de comboio através do VisitSriLankaTours. O bilhete através deste método ficou mais caro do que comprado no local, mas garantimos que conseguimos para o dia e hora pretendidos;
  • Na reserva dos bilhetes de comboio há que ter em atenção que nem todas as carruagens permitem portas e janelas abertas; a carrugem da primeira classe, pelo facto de ter ar condicionado, não permite a abertura de portas e janelas durante a circulação do comboio. Assim, para quem tiver interesse em tirar as célebres fotografias com o comboio em andamento deve comprar para as carruagens de segunda classe (com lugares marcados) ou para a terceira classe (sem lugares marcados e apinhada de nativos);
  • Para adquirir os bilhetes do comboio, imprimimos previamente a reserva e na estação de Ella, apresentando o passaporte, levantámos os mesmos;
  • Durante a viagem de comboio existem alguns nativos que entram no comboio e vendem comida e outras iguarias; fomos avisados pelos Sr. Rohan Perera que não deveríamos comprar e consumir esses alimentos pois não se sabe bem como são confeccionados. Para uma viagem longa como esta convém ir prevenido e comprar algo, previamente, no supermercado;
  • Em Kandy ficámos hospedados no Earl’s Regent Hotel que, apesar de ser um hotel bastante conceituado em Kandy, o serviço não foi nada agradável. Talvez tenha sido o hotel que nos apresentou o pior serviço no Sri Lanka.

 

Dia 7: Do Jardim das Especiarias ao paraíso
Destino: Dambulla

Aproveitámos a manhã do dia seguinte para visitar o Grande Buddha. Chamámos um tuk tuk para nos levar ao cimo da montanha e, por 500 rúpias por pessoa, entrámos no espaço sagrado.

Kandy não é propriamente uma cidade bonita, mas já demonstra alguma altivez face às localidades por onde já tinhamos passado. Em tempos fora capital do país.

Questionámos o nosso motorista do tuk tuk sobre o transporte até Dambulla e, por um excelente preço de 5.000 rúpias, ofereceu-se para nos levar na sua carrinha. Durante a viagem, surgiu a oportunidade de visitar um Jardim de Especiarias, o Highland Spice Garden. Foi uma das experiências mais marcantes de toda a viagem. Fomos recebidos por um dos colaboradores que nos proporcionou uma visita bastante agradável por todo o jardim. No final, tivemos direito a uma explicação sobre todas as essências, óleos, cremes e afins que são produzidos com o uso das sementes, folhas, frutos ou raízes das plantas que ali habitam e a uma massagem de demonstração. Obviamente que a visita não nos ficou a custo zero, mas ficou ao nosso critério o valor a dar a cada um dos colaboradores. A cada um pagámos 1.000 rúpias. Antes de nos despedirmos, ainda comprámos alguns produtos na loja.

Continuámos o nosso percurso até ao hotel que, previamente, reservámos perto de Dambulla. O Jetwing Lake Hotel foi, sem qualquer sombra de dúvida, o melhor hotel por onde ficámos hospedados no Sri Lanka. Desde a forma como nos receberam, às condições do quarto, à paisagem circundante… foram razões suficientes para permanecermos no hotel o resto do dia, a desfrutar da piscina e a descansar da viagem.

Paisagem vista do hotel em Dambulla
Paisagem vista do hotel em Dambulla

 

Dicas deste dia:

  • Obrigatório ficar alojado no Jetwing Lake Hotel;
  • Não deixar de passar pelo Highland Spice Garden, entre Matale e Dambulla;
  • Não pagar mais do que 5.000 rúpias de transporte privado de Kandy a Dambulla.

 

Dia 8: Climb every mountain
Destino: Sigiriya, Pidurangala Rock e Templo das Caves

A nossa passagem pelo Sri Lanka estava quase a chegar ao fim. Foram dias intensos pelas praias do sul e pela natureza crua do interior. Mas ainda havia energia suficiente para visitar um dos ícones do país, a antiga capital Sigiriya. Depois, teríamos ainda pernas para subir a Pidurangala Rock e visitar o Templo das Caves, em Dambulla.

A meteorologia jogava a nosso favor. Apesar de ser um país onde as condições climatéricas alteram muito rapidamente, avizinhava-se um dia quente, de sol e bastante aberto, que era o ideal para podermos visitar as duas grandes rochas.

Decidimos alugar um tuk tuk para esse dia que nos pudesse transportar para qualquer um dos destinos que tínhamos planeado.

Chegámos a Sigiriya cedo, por volta das 9h30 da manhã e já a essa hora muitos turistas visitavam o espaço. Poderíamos ter chegado mais cedo para fazer toda a subida sem grandes multidões, mas soube-nos bem, nesse dia, a cama do hotel.

Ao atravessarmos a zona dos jardins reais avistámos ao fundo a rocha que suporta a antiga cidade. É deslumbrante o formato e espantosa a forma como se pensou construir uma cidade no topo.

A subida a Sigiriya ia-nos desvendando a paisagem magnífica que a envolve. Perdíamos de vista o verde que a natureza nos conseguia brindar, por cada degrau que subíamos. No topo perdemos a palavras para descrever o quão bela era a imagem que os nossos olhos captavam. Dificilmente conseguimos fechar os olhos com receio de que aquela imagem não se perpetuasse nas nossas memórias.

Depois de descermos, seguimos o caminho até Pidurangala Rock. Situa-se a cerca de 1,5 km de Sigiriya e guarda uma surpreendente vista sobre a antiga capital do Sri Lanka. Pidurangala fora, durante muitos anos, segundo a história, ocupada por monges e vive na sombra de Sigiriya. Por esta razão é um espaço menos visitado por turistas, o que considerámos excepcional para podermos subir ao nosso ritmo.

Não foi fácil atingir o topo da rocha. Passámos por trilhos no meio da natureza densa e, ao chegar a cerca de 100 metros do destino, tivemos de escalar algumas rochas, colocando um pé ali e outro acolá com auxílio da força de braços.

Após muita ginástica atingimos o topo da rocha e ali ficámos durante algum tempo a admirar aquela magnífica paisagem com Sigiriya como pano de fundo. Por tudo, aconselho vivamente, apesar da dificuldade, a subida a Pidurangala Rock.

A descida foi, obviamente, mais fácil e acabámos as visitas do dia no Templo das Caves, onde pudemos observar inúmeras estátuas do Buddha dentro de cada uma das grutas que compõem o complexo. Todo o espaço é sagrado, pelo que tivemos que percorrê-lo descalços.

 

Dicas deste dia:

  • Subir as rochas não é fácil e exige algum esforço, pelo que, as pessoas que tiverem mais dificuldades devem optar apenas por subir Sigiriya;
  • Pela dificuldade de acesso ao topo de Pidurangala Rock, ficámos a saber que é desaconselhada a subida a pessoas que não se encontrem acompanhadas;
  • Levar bastante água de reserva e andar sempre de sapatilhas confortáveis (esquecer os chinelos neste dia);
  • O transporte mais fácil entre os vários pontos é o tuk tuk;
  • Todos os pontos de interesse desse dia exigiam a compra de bilhete no local.

 

Dia 9: Um desvio para decepção
Destino: Pinnawala Elephant Orphanage e Negombo

Levantámo-nos cedo para aproveitar mais um pouco do hotel e preparar a nossa saída com destino a Negombo. No entanto, nos planos traçados considerámos a passagem pelo Pinnawala Elephant Orphanage, mais conhecido com Orfanato dos Elefantes de Pinnawala. Alugámos nessa manhã um táxi, através da internet por 15.000 rúpias para nos levar a ambos os locais.

Pagámos 2.500 rúpias de bilhete à entrada do Orfanato dos Elefantes. As expectativas eram altas de ver os elefantes num espaço bem aberto e livres. Pelo contrário, em Pinnawala existem dois espaços distintos a que dá direito o bilhete. Um espaço onde os elefantes, a determinadas horas do dia estão para apreciação dos visitantes, como se de um jardim zoológico se tratasse e outro, no rio, onde os elefantes estão a tomar banho, debaixo de um calor infernal. Alguns deles estão presos e o espaço está delimitado por uma cerca para que os visitantes não possam ultrapassar e aproximar-se dos animais.

Acabou por ser um ponto de paragem que muito pouco nos disse. O desvio que fizemos fora desnecessário e, talvez com mais informação, tivéssemos optado por fazer um safari num dos parques naturais onde, apesar de serem espaços também limitados, os animais estão livres.

Depois da decepção de Pinnawala, uma hora depois, chegámos a Negombo. O sol estava prestes a pôr-se no horizonte e o clima estava com vontade de nos pregar uma partida. Deixámos as nossas malas no quarto e corremos até à praia, mesmo ao atravessar a estrada para assistir ao penúltimo pôr-do-sol asiático.

Não estudámos nada sobre Negombo. Mas conseguimos observar durante a nossa passagem de táxi a caminho do hotel que é uma cidade já com bastantes pontos de referência católicos, ao contrário do interior budista e hindu.

Nessa noite, fomos até ao centro à procura de um local onde pudéssemos jantar bom e barato. Qualquer coisa podia servir. Contudo, no meio de tanto comércio, lojas de troca de ouro por dinheiro e tendas de quinquilharia e bugigangas, não havia um único restaurante ou casa de pronto a comer que nos pudesse saciar a nossa fome. Aliado a isso, começou a chover torrencialmente o que nos fez regressar ao hotel, num tuk tuk, no meio da tempestade e jantar no restaurante que, àquela hora, ainda nos serviu algo que nos satisfez.

Pinnawala Elephant Orphanage
Pinnawala Elephant Orphanage

 

Dicas deste dia:

  • Redesenhando o plano, teria incluído um safari no Yala National Park ou no Minneriya National Park (este perto de Sigiriya) em alternativa à visita ao Pinnawala Elephant Orphanage;
  • Em Dambulla alugámos o táxi através do Lankan Cabs – foram sempre muito rápidos nas respostas às nossas questões;
  • Ficámos hospedados no Jetwing Lagoon Hotel – diferente do Jetwing Lake, de Dambulla. Ainda assim, e apesar de ser também um hotel de cinco estrelas, ficou muito abaixo do anterior Jetwing em qualidade/preço.

 

Dia 10: A beleza esgotou-se
Destino: Colombo e Portugal

Partimos na manhã do nosso último dia em direcção ao principal mercado de peixe de Negombo. Talvez o único ponto de interesse da cidade.

Para aproveitar o resto do dia comprámos, por 13 rúpias, bilhetes de comboio na estação e seguimos em direcção a Colombo, a capital do Sri Lanka. A viagem tem a duração de perto de 1 hora e com paragens em todas as estações. Saímos em Fort Railway e passámos o resto do dia a passear pela zona do Forte de Colombo, a zona velha da cidade. Colombo não nos oferece nada de especial. É uma cidade já bastante desenvolvida, obviamente dentro do padrão asiático e de país pouco desenvolvido.

Depois de tanta beleza no interior do país, a cidade de Colombo disse-nos muito pouco.

Ao final da tarde regressámos a Negombo, ao nosso hotel e aí aguardámos até à hora de partirmos para o aeroporto.

 

Dicas Gerais da Viagem:

  • Não esquecer de adquirir o visto com algumas semanas de antecedência. Pode ser adquirido online e custa cerca de 30 euros;
  • As tomadas eléctricas no país são diferentes das portuguesas. Para o efeito, convém levar um adaptador específico. Segundo sabemos, podem existir dois tipos de adaptador, mas basta encontrar um tipo G que serve perfeitamente na maioria das tomadas;
  • Antes de viajar convém visitar o médico na consulta do viajante. Sabe-se que as recomendações podem mudar ao longo do tempo, mas para esta viagem, em 2018, foi-nos aconselhada a vacina da Hepatite A e da Febre Tifóide;
  • Comprar bastante repelente de mosquitos e passar em todas as zonas do corpo expostas, uma vez ao dia ou a seguir aos banhos de mar;
  • Não esquecer o protector solar, especialmente para quem quiser visitar as zonas mais costeiras onde as sombras não abundam;
  • Beber sempre água engarrafada e nunca da corrente.

 

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A felicidade move-nos no dia-a-dia e nas viagens. Obrigado à Joana e ao Luís por mais uma grande aventura!

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